Hong Kong: pelo 24º ano consecutivo, "economia mais livre do mundo"

Portos & Cia.

Hong Kong

Essa moderna cidade chinesa acaba de conquistar, pelo 24º ano consecutivo, o título de "economia mais livre do mundo", conferido, após pesquisa, pela Fundação Heritage, de Washington. HK, por 155 anos, como troféu da deplorável Guerra do Ópio, ficou em poder da Inglaterra até 1997. Com área de 1,1 mil km² e 7 milhões de habitantes, dispõe de um dos melhores portos da Ásia e do mundo, o que mais recebe a carne brasileira. Segundo a Fundação, HK ficou em primeiro não só nas questões comerciais e financeiras mas também quanto ao sistema judicial, social e transparência do governo. Aliás, demonstrando a importância da mulher para a China, HK é governada por Carrie Lam, eleita ano passado. Agora, com a recentemente inaugurada maior ponte marítima do planeta, de 55 km, HK ficou apenas a 30 minutos de Macau, também no delta do rio das Pérolas e paraíso dos jogos, com seus 37 hotéis-cassino. Para orientação dos negócios, foi criado o Hong Kong Trade Development Council (HKTDC) com escritórios em 40 países, inclusive em S. Paulo (na rua Cel. Xavier de Toledo, 316), sob direção da eficiente executiva Marina Barros.

Haropa

Principal sistema portuário da França, o Haropa reúne os portos de Le Havre, Rouen e Paris, o primeiro na foz do Sena e os dois outros no curso do rio. Em 2017, crescendo 6% o movimento de carga do Haropa chegou a 92,6 milhões/t, com 29,1 milhões/t referentes a contêineres, que somaram 3 milhões de TEUs (unidades de 6,1 metros). O Le Havre - com a vantagem de ser o primeiro/último de chegada e saída de grande porto do mar do Norte/Europa - recebeu cerca de 200 navios de turismo, com a circulação de 400 mil visitantes, aumentando para o recorde de 7,5 milhões de passageiros em Paris. Aliás, conheci bem todo esse magnífico sistema durante os anos que passei na capital parisiense, representando o Brasil na CCI.

Portugal/Cassinos

Esse país-irmão do Brasil, Portugal - assim como os seus vizinhos também religiosos Espanha, França e Itália - possui excelente rede de cassinos, sob controle oficial do Serviço de Inspeção de Jogos do Turismo. O amplo sistema de "jogos de fortuna" (como lá são classificados) - cassinos, inclusive nos hotéis, mas também bingos, maquinetas, apostas esportivas e agora as on-line (Internet) - em 2017, faturou US$ 140 milhões, com US$ 64,8 milhões de arrecadação de impostos. Interessante verificar como Portugal reúne todos esses jogos de fortuna em um só serviço de fiscalização como também os vincula diretamente ao turismo. Tudo isso, como nos demais países europeus, sem corrupção nem lavagem de dinheiro. Com apenas 10 milhões de habitantes, o pequeno (em território) Portugal, com esse esplêndido sistema de jogos/cassinos, ano passado, recebeu 18 milhões de turistas, três vezes mais que o Brasil. Bom exemplo.

Decreto Irregular

Em 1946, quando da expedição do Decreto nº 9.215, que proibiu os cassinos, já se registrava a crônica lavagem de dinheiro por meio do superfaturamento das importações. Algumas como no setor de medicamentos chegavam a até 500% em transferências cambiais fraudulentas para o exterior, conforme apurado pela Cexim/BB. No entanto, além de não falar em lavagem de dinheiro - argumento único agora usado contra a reabertura dos cassinos - os dois principais motivos dos "considerandos" do Decreto são absolutamente falsos : "imperativo de consciência universal" e "legislação penal de todos os povos cultos". Naquela época já funcionavam plenamente os magníficos centros de cassinos em Las Vegas (EUA), Macau (então colônia portuguesa na China) e Mônaco (França). A menos que a patrona do Decreto, Dona Santinha Dutra, não considerasse cultos esses três países.

Mulheres

No dia e mês das mulheres (8 de março) as brasileiras nada tiveram para comemorar, mas talvez o que lamentar. Embora tenham sido trazidos ao mundo por elas, ingratos, os homens, além do deplorável assédio sexual, têm praticado outras violências e arbitrariedades, inclusive políticas. Em tempos recentes, comandaram o afastamento não só da presidente Dilma, da ministra Luislinda, da presidente do BNDES, Maria Silvia, e impediram a posse da ministra do Trabalho. E ainda agora, em pleno mês das mulheres esse bárbaro assassinato da vereadora Marielle, por um bando de homens desalmados. Sem dúvida, grande parte da discriminação existente deve-se a falta de representação política, de vez que, apesar de compor cerca de 50% do eleitorado, apenas 13%, em média, são eleitas para os diversos órgãos (Senado, Câmara, Assembleias Estaduais e Municipais). Espera-se que, em outubro, pelo menos a metade do eleitorado feminino vote em suas candidatas. Em bem melhor situação, na China, agora em março 742 mulheres tomaram posse como deputadas na Assembleia Nacional, representando 25% do total eleito.

Data de publicação: 06/04/2018

Autor: CARLOS TAVARES DE OLIVEIRA
Jornalista e consultor de comércio exterior

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