PORTOS & CIA.: Cabotagem pode proporcionar transporte mais barato e seguro

CHINA/CAPITÃO

De influente amigo chinês, de Pequim, recebi e-mail sobre "a necessidade de ficar alerta com as infundadas afirmações do capitão". De fato, o presidenciável capitão Bolsonaro fez declarações preocupantes - particularmente para os brasileiros -, relacionadas com o maior importador das exportações nacionais e também principal investidor. No Rio, afirmou que "não vai botar o que é estratégico em mãos de países com regime diferente". Para, logo depois, assinalar que "a China não privatiza nada". Certamente, não sabe que, no primeiro semestre, a China já completou o registro de mais de 100 milhões de empresas privadas. E, por fim, em São Paulo, declarou que "queremos afastar o comunismo".

HOLANDA

Sempre grande amiga do Brasil, a Holanda, nas últimas décadas, ajudou bastante na estrutura moderna dos portos e formação dos terminais. Nos anos 1990, a convite oficial, para pesquisas e debates, estive por quatro vezes em Roterdã, principal porto de entrada dos produtos brasileiros para União Europeia, inclusive de 40% da carne bovina enviada para aquele mercado. Ainda refletindo as irregularidades com as exportações de frango da BRF, em abril, os embarques de carne continuam a receber rigorosa fiscalização. E agora, o Tribunal de Roterdã autorizou o prosseguimento de ação contra a Petrobras para ressarcimento a acionistas dos prejuízos causados pela Operação Lava Jato.

CABOTAGEM

Esse importante modal de navegação costeira, que circula de Manaus até Buenos Aires, passando por Montevideo, serve também à exportação. A recente e infeliz greve dos caminhoneiros, pelo menos, mostrou ao empresariado como pode a cabotagem proporcionar transporte mais barato e seguro. Agora, porém, com a inoportuna ideia do governo de reabrir as negociações do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, o modal poderá ser afetado. Por pressão de empresas estrangeiras, está na pauta permitir aos cargueiros das linhas internacionais, que vêm da Europa, concorrer na cabotagem. Fato inexistente em outros países, que reservam a cabotagem para a própria navegação. Naturalmente contrário ao projeto, o Syndarma procurou, junto às autoridades em Brasília, a retirada desse item do acordo. Comentando com o colunista sobre a impropriedade da concessão, o vice-presidente desse sindicato (de armadores inclusive de cabotagem), Luis Resano, afirmou que a medida prejudicará a recuperação do modal e, particularmente as linhas para a Argentina.

TURISMO

Relatório da Organização Mundial de Turismo, de 2017, confirmou a China na liderança mundial, totalizando o recebimento de 105,7 milhões de turistas. Esse é o total correto, incluindo os resultados das cidades chinesas de Macau e Hong Kong, que erradamente, como países, aparecem separadamente na relação, e assim divulgado na mídia local, inclusive a televisão. Em segundo, ficou a França com 86,9 milhões de turistas e, em seguida, a Espanha e os Estados Unidos. Todos os 10 principais países do ranking têm bons cassinos impulsionando o turismo. No fim da longa lista, sem cassinos - item fundamental para o moderno turismo -, situa-se o Brasil com apenas 6,5 milhões de visitantes. Também na liderança, os turistas chineses no exterior gastaram US$ 258 bilhões, com o maior índice de consumo per capita.

FUTEBOL/FAKE NEWS

Entre o noticiário da Copa, ressurgiu a antiga e falsa versão segundo a qual a Inglaterra havia inventado o futebol. Na verdade, a versão inicial equivocada provavelmente decorreu da prática do esporte na Europa, que começou, em 1863, com os soldados ingleses que retornavam da China, após a deplorável invasão de Xangai, para introduzir a droga ópio. Em julho de 2004, em nota oficial, a Fifa reconheceu "a China como inventora do futebol há mais de 2.500 anos". E o então secretário-geral da entidade, Jerome Champagne, ao justificar a informação, assinalou: "Antes do futebol aparecer na Europa, a forma inicial da modalidade teve início na China". De fato, o esporte "cuju" (pé na bola) já era popular na dinastia Han (ano 206 a.C.). A real história dessa e de outras 50 geniais invenções chinesas (cerveja, vinho, macarrão, hélice, estribo etc.) estão em meu livro "China - Origens da Humanidade", Aduaneiras/2008. A propósito, na recente Festa dos Campeões a Fifa esqueceu da China.

Data de publicação: 28/09/2018

Autor: CARLOS TAVARES DE OLIVEIRA
Jornalista e consultor de comércio exterior

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