PORTOS & CIA: presidenciáveis não falam da importante questão dos portos

CHINA, ATENÇÃO CAPITÃO

Recentemente, em reunião na Embrapa, o Ministro Blairo declarou que as exportações brasileiras do agronegócio deverão atingir o recorde de US$ 100 bilhões. Faltou acrescentar que quase metade desse valor - basicamente em soja e carne bovina - destina-se ao mercado chinês. A propósito, o presidenciável capitão - e curiosamente os generais assistentes - tem afirmado que "a China está comprando o Brasil". Assim, fica evidente a dependência da economia nacional, não só da compra de produtos, como dos investimentos da superpotência asiática. Sem dúvida, houve equívoco político-econômico na declaração da candidatura favorita. Portanto, seria oportuno que o empresariado mato-grossense do agronegócio entrasse em campo para esclarecer a situação. Se é que já não o fez.

TRUMP X CHINA

Felizmente, para o mundo, as arbitrárias medidas do presidente Trump nada afetaram a economia chinesa, que, ao contrário, cresceu em todos os sentidos nos três primeiros trimestres do ano. A começar pelo Produto Interno Bruto (PIB), que aumentou 6,7% (a previsão era de 6,5%) enquanto a balança comercial subiu ao recorde de 9,9%, para o total de US$ 3,23 trilhões, com exportações (alta de 6,5%) chegando a US$ 1,7 trilhão. Como maior parceiro comercial, o intercâmbio com os EUA (14% do total) somou US$ 460 bilhões, e em setembro cresceu 13%. No primeiro semestre a China foi líder nos investimentos no exterior, com aumento de 6%, alcançando US$ 70 bilhões, enquanto os EUA ficaram em 3º, com US$ 46 bilhões.

TRUMP X CHINA - 2

A propósito, segundo antigo ditado, Trump pode ser louco mas não rasga nota de cem dólares. Semana passada, discretamente, enviou o Secretário (Ministro) da Defesa dos EUA, James Mattis, à Singapura, onde encontrou-se com o Ministro da Defesa Nacional da China, Wei Fenghe. Justificando a reunião bilateral, Mattis declarou que "existem diferenças entre os EUA e a China, mas elas não representam necessariamente confrontação, nem a competição significa hostilidade".

PORTOS

Lamentavelmente, nos inúmeros debates e entrevistas desse período pré-eleição, os dois presidenciáveis selecionados não tocaram na importante questão dos portos, sem apresentar solução para seus inúmeros problemas. Enquanto isso, continuam vencidos mais de 140 contratos de terminais e o Brasil - dado o atraso e a política imperante - situou-se na 139ª posição na relação de qualidade de estrutura portuária (de 2018), apresentada pelo Banco Mundial. De fato, duas providências fundamentais são claras e impositivas: a retirada da tutela dos políticos da administração portuária (Docas) e a descentralização/estadualização da gestão. A necessária delegação do controle dos portos aos respectivos Estados já existe a inteiro contento no Paraná e Rio Grande do Sul, que possuem os melhores complexos do País, Paranaguá e Rio Grande. Aí estão, Jair e Fernando, duas soluções (óbvias) que certamente servirão de base para resolver os problemas portuários.

DE PARIS

Há dez anos, em outubro de 2008, após pesquisar a modelar estrutura francesa de portos/navegação para o sistema fluvial/cabotagem, entre o noticiário enviado para a coluna (nº 428), encontrava-se a nota "Diferença", que ressaltava a importância que o governo local dava ao assunto. A nota informava: "Um comboio com rebocador e duas barcaças pode transportar 5 mil/t de carga, volume que ocuparia 125 vagões ferroviários ou 250 caminhões. O custo tonelada/km do transporte fluvial é três vezes menor que o ferroviário e 10 vezes inferior ao rodoviário".

Data de publicação: 24/10/2018

Autor: CARLOS TAVARES DE OLIVEIRA
Jornalista e consultor de comércio exterior

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